terça-feira, 31 de outubro de 2017

Polifenóis: O que são e qual sua importância para a nossa saúde

Os polifenóis são uma classe de compostos bioativos encontrados nos vegetais com propriedades anticâncer, anti inflamatórias e antioxidantes. As pesquisas, nas últimas décadas, apontaram para o papel dos alimentos funcionais na promoção da saúde e prevenção de doenças – nesse cenário, os polifenóis são peças chaves.

Alimentos ricos em polifenóis

Cravo-da-índia;
Anis estrelado;
Cacau em pó;
Orégano seco;
Chocolate amargo;
Farinha de linhaça;
Castanha;
Mirtilo;
Alcachofra;
Café;
Morango;
Amora preta;
Ameixa;
Chá preto;
Chá verde;
Maçã;
Vinho tinto;
Iogurte de soja;
Azeitonas pretas;
Espinafre;
Nozes;
Feijões pretos;
Cebola roxa;
Brócolis.

Alguns tipos de compostos polifenólicos:

Hespiridina: presente na laranja e no limão; atua na redução do colesterol plasmático e na fragilidade capilar.
Quercitina: presente nas cebolas; atua como anti inflamatório e aumenta a biogênese mitocondrial.
Catequinas e epicatequinas: presentes no chá verde e branco; atua como anti inflamatório, reduz a gordura abdominal, diminui o apetite, diminui a concentração de triglicerídeos plasmáticos, aumenta o gasto energético, aumenta  a fotoproteção da pele, previne o câncer de próstata e de boca.
Resveratrol: presente no suco de uva integral, amora, chocolate amargo, castanhas e sementes oleaginosas; aumenta a fotoproteção da pele, aumenta o gasto energético, reduz  a concentração de LDL-c.
Curcumina: presente no açafrão e no curry (tempero indiano); atua na proteção vascular e cardíaca, é anti inflamatório.

Benefícios dos polifenóis para a saúde

Há diversas pesquisas em andamento avaliando os mais de 8.000 polifenóis diferentes que foram identificados até agora. Os estudos concluídos trazem uma boa indicação da importância destes micronutrientes para a nossa saúde.

1. Podem prevenir o câncer
De acordo com o National Cancer Institute, cerca de 40% de todos os homens e mulheres vão desenvolver algum tipo de câncer ao longo da sua vida. Vários estudos têm demonstrado a utilidade dos polifenóis na prevenção de câncer.
Os pesquisadores acreditam que a ação antioxidante dos polifenóis ajuda a proteger o DNA celular de danos causados pelos radicais livres, que podem desencadear o desenvolvimento do câncer.
Os polifenóis também podem inverter marcadores hereditários no DNA e são capazes de reduzir o crescimento de tumores.
O tratamento metabólico essencial indicado por cientistas, no entanto, inclui, além da ingestão de polifenóis, uma dieta nutricional onde a ingestão de carboidratos não fibrosos contenha menos que 50 gramas por dia e haja a ingestão apenas de gorduras de alta qualidade.

2. Ajudam a prevenir e tratar doenças cardiovasculares
As doenças cardíacas são a principal causa de morte em homens e mulheres no mundo todo. Uma em cada quatro mortes nos Estados Unidos é causada por ataque do coração.
Pesquisas recentes apoiam a ingestão de polifenóis na prevenção e no tratamento de doenças cardiovasculares, principalmente flavonoides. Os flavonoides são polifenóis que ajudam a reduzir a aglutinação das plaquetas no sangue e melhoram a função das células que revestem as artérias e veias. A reunião de plaquetas é um precursor potencial para ataques cardíacos e angina.
Polifenóis também são importantes antioxidantes e reduzem a resposta inflamatória do corpo por eliminação de radicais livres. Estes, por sua vez, também são um fator no desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

3. Ajudam no controle de diabetes tipo 2
Com base em modelos animais e alguns estudos com seres humanos, os polifenóis mostraram estabilizar o açúcar no sangue, regular o metabolismo da gordura, reduzir a resistência à insulina e diminuir a inflamação no corpo. Isto pode ajudar a prevenir complicações causadas pela diabetes, incluindo doenças cardiovasculares, neuropatia e retinopatia.
Embora a ingestão de polifenóis não possa ser considerada de modo algum um tratamento para diabetes, eles podem ser aliados no seu controle e podem ajudar a evitar complicações advindas desta condição.

4. Previnem a doença de Alzheimer
A doença de Alzheimer é uma forma grave de demência e dados mais recentes levantados nos Estados Unidos sugerem que mais de meio milhão de americanos morrem em consequência desta doença a cada ano, o que a coloca como a terceira principal causa de morte no país, logo atrás de doenças do coração e câncer.
Os pesquisadores identificaram o papel dos polifenóis em retardar o aparecimento da demência e reduzir o risco da doença de Alzheimer.
O resveratrol, por exemplo, encontrado em peles de uvas e no vinho tinto, foi identificado como tendo efeito neuroprotetor.
Outros estudos demonstraram uma redução na progressão da demência quando polifenóis foram incluídos na dieta diária, reduzindo duas alterações no sistema neurológico que levam à demência.
Assim como no caso dos estudos do câncer, o tratamento inclui uma dieta nutricional que reduz os carboidratos não fibrosos para menos de 50 gramas por dia e utiliza gorduras de alta qualidade.
5. Auxiliam na prevenção da osteoporose

A osteoporose é uma condição em que há perda da densidade óssea, o que pode levar a fraturas nos ossos. Os polifenóis, relacionados com a sua atividade antioxidante, podem ter um efeito positivo sobre o metabolismo ósseo, reduzindo o risco potencial de desenvolvimento de osteoporose.
6. Atuam na saúde do trato gastrointestinal

Os microrganismos presentes no intestino desempenham um papel fundamental na proteção contra o câncer, obesidade, diabetes, doenças neurológicas, alergias e transtornos de humor.
Um estudo apresentado por cientistas do Instituto Canadense de Nutrição e Alimentos Funcionais indica que os polifenóis parecem ter um efeito sobre a nutrição das bactérias benéficas que vivem no intestino.
Grande parte da investigação tem sido feita com o uso do chá verde, que desempenha um papel importante no equilíbrio da flora intestinal, não só por aumentar as boas bactérias, mas também por reduzir o número das bactérias prejudiciais. Pesquisas também constataram melhorias na flora intestinal com o consumo de vinho tinto e chocolate amargo em moderação.

7. Aumenta a contagem de bactérias saudáveis associadas à perda de peso
Pesquisas constataram que indivíduos obesos apresentam cerca de 20% a mais de uma família de bactérias presentes no intestino conhecidas como firmicutes, e quase 90% menos de uma bactéria chamada bacteroidetes, do que as pessoas magras.
As firmicutes ajudam o corpo a extrair calorias de açúcares e transformá-las em gordura. Esta é uma explicação de como a microflora do intestino pode afetar no peso corporal.
Consta, porém, que firmicutes e bacteroidetes são dois tipos de bactérias que sofrem influência pela ingestão de polifenóis.
Há evidências in vitro e de estudos em animais e humanos que mostram que certas doses de polifenóis selecionados podem modificar a composição microbiana do intestino, e enquanto certos grupos de bactérias podem ser inibidos, outros podem prosperar. Os compostos fenólicos alteram a microbiota intestinal e, consequentemente, alteram o equilíbrio entre as referidas colônias de bactérias.